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Psicólogas falam sobre a influência do fator emocional para o Vasco na decisão de domingo Quinta-feira, 03/11/2022 – 15:42 O fator emocional virou assunto no Vasco, na semana decisiva para o clube na busca pelo acesso à Série A. Na traumática derrota para o Sampaio Corrêa, em São Januário, alguns jogadores deixaram o campo aos prantos. Por outro lado, viu-se membros do staff em demonstrações de raiva. As críticas, de modo geral, se voltaram a uma falta de controle emocional da equipe em segurar o resultado. Desse modo, o tema passou a ser a grande preocupação dos torcedores para a última rodada da Serie B.

Diante desse cenário, o Jogada 10 foi buscar a opinião de especialistas. As psicólogas Thalita Martignoni e Aline Saramago opinaram sobre o que pode ser feito para que os atletas do Vasco lidem com a pressão por um resultado que garanta o retorno à primeira divisão. O time faz o último e decisivo jogo contra o Ituano, no próximo domingo, fora de casa e precisa de pelo menos um empate.

Thalita é mestre em psicologia social (PUC-Goiás) e terapeuta Certificada em EMDR (abordagem de reprocessamento de memórias traumáticas) e atualmente cursa pós-graduação em Terapia Cognitivo Comportamental aplicada à Infância e Juventude na PUC RIO. Aline é psicóloga e coach e tem experiências anteriores com atletas de diversas modalidades como vôlei, triatlo, crossfit, lutas e até mesmo de xadrez e games.

Que tipo de trabalho pode ser feito com atletas para amenizar a pressão e para que se recuperem de uma derrota tão dura ?

Thalita Martignoni: O primeiro trabalho é o acolhimento da dor, da frustração e da tristeza da derrota. Houve muito empenho, muito esforço e obviamente, muita expectativa de vitória. Não é fácil se decepcionar, decepcionar a expectativa de uma grande torcida. Uma derrota é sempre uma derrota, um evento que ativa grandes emoções. Diante de um evento trágico, de não alcançarmos um objetivo tão desejado, podemos sentir muita tristeza, chorar, expressar a dor, a frustração e isso é saudável. É uma emoção que nos leva ao recolhimento, à reflexão e que nos ajuda a refazer a rota para continuar.

Em segundo lugar, trabalhar a aceitação radical da realidade. Mesmo sendo um jogo decisivo, em que ganhar é muito importante, a derrota é sempre uma possibilidade. Isso vai na contramão da expectativa da torcida apaixonada, de que a derrota do Vasco é inadmissível, que ele não poderia ter perdido essa chance. Todas essas expectativas são irrealistas. Perder é sempre uma possibilidade. Não se preparar para a derrota e ficar buscando culpados é uma grande fonte de sofrimento. É preciso se lembrar que jogo é jogo. São dois times. Não é razoável que se ganhe sempre. Haverá derrotas e vitórias.

Em terceiro lugar, é preciso desconectar autovalor de desempenho. Essa postura rígida da torcida que diante da derrota vira as costas para o time e hostiliza os jogadores reforça essa lógica de “tudo ou nada”, leva uma mensagem de que o jogador só tem valor se demonstrar alto rendimento.Essa é uma boa metáfora para a vida. Quantos de nós ficamos presos na lógica do sucesso e fracasso e só nos sentimos bem se estivermos vencendo na vida? Qualquer fracasso é terrível, qualquer desempenho tem que ser perfeito, incrível para ser reconhecido. É preciso aceitar a derrota sem que isso signifique fracasso como pessoa. Assim, é possível tolerar melhor os resultados negativos e se fortalecer para seguir .

Aline Saramago : Nessas situações, trabalho temas e questões como aceitação, perdão, ressignificação. Aceitar o que houve no passado e nos perdoarmos e perdoar aos outros para poder seguir em frente, ou ainda buscar formas de interpretar a situação de uma forma construtiva, levando os aprendizados para as experiências futuras pode ser transformador.

Há também que se desenvolver a resiliência e a tolerância à frustração, haja vista que nem sempre a vida será justa e livre de percalços. Se planejar e preparar para os próximos desafios, realizando este trabalho de equilíbrio emocional é fundamental para que mente e corpo estejam alinhados para os próximos jogos.

Em relação à pressão que possam estar sentindo sobre os próximos desafios, é imprescindível buscar relaxar e se distrair nos momentos livres, pois a tensão emocional pode influenciar no físico e, consequentemente levar a lesões. Fazer um trabalho psicológico a fim de que se preparem mentalmente, além do físico, claro, é fundamental para enfrentar os jogos que estão por vir e obter melhores resultados.

Como se trabalha com um trauma em coletivo, em um grupo tão diverso de atletas, em que cada um absorve de uma forma ?

Thalita Martignoni: O grupo tem essa força maior, de vivenciar juntos a mesma dor. Quando recebemos acolhimento nesse momento, sentimos a empatia daquele que vem nos abraçar, nos confortar, que se coloca ao nosso lado para sofrer junto com a gente, nos sentimos um pouco mais fortalecidos e confiantes para continuar seguindo em frente e buscar melhores resultados. Há muita cumplicidade e fortalecimento de um grupo também nos momentos difíceis.

De fato, a empatia é o melhor remédio diante de uma derrota. Quando falta empatia, quando num momento de fracasso você é desconsiderado, julgado como incompetente e incapaz, essa atitude traz uma lógica de que fracassar é inadmissível e que você só tem valor quando ganha. Isso leva a sentimentos de vergonha e divisão dentro do próprio time. Quando a identidade coletiva é forte, os jogadores podem se unir para cuidar uns dos outros, levantar aquele que caiu, ajudar o que está com dificuldade de se reerguer.

Aline Saramago: Considero importante tanto o acompanhamento psicológico individual, mas também o trabalho com dinâmicas de grupo também manejadas por especialistas, que propiciam maior engajamento, parceria e integração dos jogadores. Cada psicólogo trabalha de uma forma. Mas esses seriam temas que eu trabalharia. Derrota do Vasco para o Sampaio Corrêa deixou no ar preocupação com o emocional

Fonte: Jogada 10 CompartilheClique para compartilhar no Twitter(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela)Clique para compartilhar no Telegram(abre em nova janela)Clique para compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela)Curtir isso:Curtir Carregando… Relacionado

Fonte: vasconet.com.br/2022/11/03/psicologas-falam-sobre-a-influencia-do-fator-emocional-para-o-vasco-na-decisao-de-domingo

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